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terça-feira, 16 de junho de 2009

O que é a Poesia?

A Nádia escolheu a escritora Maria Alberta Menéres e deixou-nos este excerto da autora, que considero lindo e muito bem escolhido:
Há algum tempo assisti a um colóquio em que o tema central era a poesia.
Era um colóquio para jovens e eu sentava-me junto de alguns, ouvindo alguém que se esforçava por demonstrar que não era possível dizer o que era a poesia.
Ao meu lado, baixinho, para não interromper, o Fernando indignou- -se:
- Ora esta! Mas eu sei o que é...
Eu- Então diz lá.
Fernando- A poesia é a beleza da vida.
Eu- Parece-me que tens razão.
Logo o João se meteu na conversa:
- Então as coisas feias não têm poesia?!
Eu- Parece-me que tens razão: as coisas feias também têm poesia.
Salta o André:
- Nesse caso a poesia pode ser o sentido das coisas.
E logo o irmão mais novo do André acrescentou:
- Então a poesia é uma maneira de olhar o mundo!
Eu, entusiasmada- Tens razão. É isso mesmo!
O Fernando, que tinha sido o primeiro a dar a sua opinião ali naquele canto onde nós «pré-coloquiávamos» baixinho, admirava-se:
- Mas afinal quem é que tem razão? O que eu disse não estava certo?
Eu- Pois estava.
E expliquei que estava. E tudo o mais também. Porque a poesia é a beleza e o sentido das coisas e de nós próprios. É a maneira de olhar o mundo. É uma forma de atenção a tudo. Ela pode estar em toda a parte: nós, às vezes, é que não estamos onde ela está, só porque passamos ou vivemos distraídos.
E outras vezes estamos e encontramo-la.
E outras vezes encontramos a poesia e não a sabemos escrever.
Encontrá-la já é maravilhoso. E escrevê-la? Que difícil caminho é o da escrita!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Não Te Amo!


Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.
E eu n'alma – tenho a calma,
A calma – do jazigo.
Ai! não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida – nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau, feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.
Almeida Garret(trabalho de Flávio)

À sua passagem a noite é vermelha,
E a vida que temos parece exausta, inútil, alheia.
Ninguém sabe onde vai nem donde vem,
Mas o eco dos seus passos
Enche o ar de caminhos e de espaços
E acorda as ruas mortas.
Então o mistério das coisas estremece
E o desconhecido cresce
Como uma flor vermelha.

Sophia de Mello Breyner
Trabalho de Damiana, Elisabete e Brenda

As Pedras Falam!


AS PEDRAS

As pedras falam? pois falam
mas não à nossa maneira,
que todas as coisas sabem
uma história que não calam.

Debaixo dos nossos pés
ou dentro da nossa mão
o que pensarão de nós?
O que de nós pensarão?

As pedras cantam nos lagos
choram no meio da rua
tremem de frio e de medo
quando a noite é fria e escura.

Riem nos muros ao sol,
no fundo do mar se esquecem.
Umas partem como aves
e nem mais tarde regressam.

Brilham quando a chuva cai.
Vestem-se de musgo verde
em casa velha ou em fonte
que saiba matar a sede.

Foi de duas pedras duras
que a faísca rebentou:
uma germinou em flor
e a outra nos céus voou.

As pedras falam? pois falam.
Só as entende quem quer,
que todas as coisas têm
um coisa para dizer.

Maria Alberta Menéres


Se uma lágrima indo
durasse desde o olho
aos pés e me lavasse
por dentro o abandono

sem se gastar nas puras
arestas afiadas
Se uma lágrima indo
me inundasse as espáduas

me corresse nas ancas
desenhasse o trajecto
ate aos pés e fosse
como um rio concreto

entre profundas pedras
sereno e perfurado
de pequenos destinos
pouco mais que silábicos

sem se gastar fugindo
aos dedos da paisagem
ocultando do sol
o brilho inimitável

Se uma lágrima indo
assim desde um princípio
para um fim que talvez
não seja um precipício

me lavasse de mim
Uma lágrima apenas
me daria outras horas
estas horas as mesmas.
Trabalho de Língua Portuguesa (Bárbara, Eliana e Bruna)